O Hobbit: A Batalha Dos Cinco Exércitos Online
Em contraste com essa escuridão crescente, ergue-se a figura de Bilbo. Se nos filmes anteriores ele era o "ladrão" contratado, aqui ele se torna o guardião da moralidade. Ao esconder a Arkenstone e entregá-la aos seus inimigos (Thranduil e Bard) para evitar o derramamento de sangue, Bilbo comete um ato de "traição por compaixão". Esta é a essência da filosofia hobbit: o conforto, a paz e uma boa refeição valem mais do que qualquer herança envenenada. A famosa fala de Bilbo — "Eu não vou ficar no meio de uma guerra" — não é covardia, mas um protesto lúcido contra a insanidade dos grandes reinos. Enquanto os homens, elfos e anões se preparam para se matar por orgulho e ouro, é o pequeno ser, sem exército e sem reivindicações, quem tenta costurar a paz.
O desfecho é melancólico, um contraste radical com a alegria do final do livro. Na versão de Tolkien, Bilbo volta para o Bolsão rindo e leiloando seus pertences. No filme de Jackson, ele retorna ao Condado visivelmente abalado, com o olhar perdido. Ele guarda a pequena pedra da Arkenstone não como troféu, mas como lembrança daquilo que o ouro destrói. A cena final, com o velho Bilbo ouvindo a batida na porta no início de A Sociedade do Anel , ganha novo peso: quando ele diz "Estou me sentindo fino, como manteiga derramada sobre muita torrada", sabemos que não é verdade. Ele carrega as cicatrizes invisíveis de Ravenhill.
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos , o terceiro e último capítulo da adaptação cinematográfica de Peter Jackson para a obra de J.R.R. Tolkien, frequentemente é tratado como o elo mais fraco de uma trilogia já controversa. No entanto, reduzir o filme a seus excessos em CGI ou ao seu desvio do tom mais leve do livro original é ignorar sua função essencial: a de ser uma tragédia fundacional. Mais do que um simples espetáculo de orcs, anões e elfos em combate, o filme é um estudo sobre a loucura da ganância, a fragilidade das alianças e o doloroso custo do amadurecimento. É aqui que Bilbo Bolseiro, o hobbit que desejava apenas sua poltrona e seu chá, finalmente perde a inocência para se tornar, de fato, um herói.
Assim, A Batalha dos Cinco Exércitos é um epitáfio para um tipo de aventura. O filme mata o mundo "infantil" de O Hobbit para que o mundo "adulto" de O Senhor dos Anéis possa existir. Ele demonstra que, na Terra-média, a vitória não vem sem perda, e que o verdadeiro herói não é aquele que mata o dragão, mas aquele que, tendo visto o pior da ganância e da guerra, escolhe voltar para casa e plantar uma nova árvore. É, no fim das contas, um filme sobre o fim da inocência — um fim necessário, porém profundamente triste.
Em contraste com essa escuridão crescente, ergue-se a figura de Bilbo. Se nos filmes anteriores ele era o "ladrão" contratado, aqui ele se torna o guardião da moralidade. Ao esconder a Arkenstone e entregá-la aos seus inimigos (Thranduil e Bard) para evitar o derramamento de sangue, Bilbo comete um ato de "traição por compaixão". Esta é a essência da filosofia hobbit: o conforto, a paz e uma boa refeição valem mais do que qualquer herança envenenada. A famosa fala de Bilbo — "Eu não vou ficar no meio de uma guerra" — não é covardia, mas um protesto lúcido contra a insanidade dos grandes reinos. Enquanto os homens, elfos e anões se preparam para se matar por orgulho e ouro, é o pequeno ser, sem exército e sem reivindicações, quem tenta costurar a paz.
O desfecho é melancólico, um contraste radical com a alegria do final do livro. Na versão de Tolkien, Bilbo volta para o Bolsão rindo e leiloando seus pertences. No filme de Jackson, ele retorna ao Condado visivelmente abalado, com o olhar perdido. Ele guarda a pequena pedra da Arkenstone não como troféu, mas como lembrança daquilo que o ouro destrói. A cena final, com o velho Bilbo ouvindo a batida na porta no início de A Sociedade do Anel , ganha novo peso: quando ele diz "Estou me sentindo fino, como manteiga derramada sobre muita torrada", sabemos que não é verdade. Ele carrega as cicatrizes invisíveis de Ravenhill.
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos , o terceiro e último capítulo da adaptação cinematográfica de Peter Jackson para a obra de J.R.R. Tolkien, frequentemente é tratado como o elo mais fraco de uma trilogia já controversa. No entanto, reduzir o filme a seus excessos em CGI ou ao seu desvio do tom mais leve do livro original é ignorar sua função essencial: a de ser uma tragédia fundacional. Mais do que um simples espetáculo de orcs, anões e elfos em combate, o filme é um estudo sobre a loucura da ganância, a fragilidade das alianças e o doloroso custo do amadurecimento. É aqui que Bilbo Bolseiro, o hobbit que desejava apenas sua poltrona e seu chá, finalmente perde a inocência para se tornar, de fato, um herói.
Assim, A Batalha dos Cinco Exércitos é um epitáfio para um tipo de aventura. O filme mata o mundo "infantil" de O Hobbit para que o mundo "adulto" de O Senhor dos Anéis possa existir. Ele demonstra que, na Terra-média, a vitória não vem sem perda, e que o verdadeiro herói não é aquele que mata o dragão, mas aquele que, tendo visto o pior da ganância e da guerra, escolhe voltar para casa e plantar uma nova árvore. É, no fim das contas, um filme sobre o fim da inocência — um fim necessário, porém profundamente triste.